Solidão: O Que É, Como Afeta a Saúde e 7 Passos Para Lidar

Dá para se sentir sozinha mesmo cercada de gente: no trabalho, na família, até num grupo de amigos. E dá para passar um fim de semana inteiro sem falar com ninguém e se sentir bem. A diferença está em como você vive essa experiência. A solidão é a sensação dolorosa de que as conexões que você tem não bastam, e ela é bem mais comum do que parece. Neste guia, você vai entender o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz sobre o tema, como diferenciar solidão de solitude e o que pode ajudar a criar vínculos mais fortes.
Resposta rápida: solidão é a sensação dolorosa de ter menos conexão social do que se gostaria. Segundo a OMS, ela atinge cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo e está associada a mais risco de doenças cardíacas, AVC, diabetes, declínio cognitivo e depressão. Ajudam pequenos contatos regulares, atividades em grupo, voluntariado e, quando a tristeza pesa, apoio profissional.

O que é solidão (e por que não é o mesmo que estar só)
Estar só é uma situação. Já a sensação de isolamento é um sentimento: a percepção de que falta conexão, ou de que as relações que existem não oferecem o apoio e a proximidade que você precisa. Por isso, alguém casado e com muitos contatos pode se sentir muito sozinho, enquanto outra pessoa que mora sozinha pode se sentir bem acompanhada.
Também existe a solitude, que é escolher ficar só para descansar, refletir ou se conhecer melhor. Ela pode ser saudável e é tema do nosso artigo sobre solitude e autoconhecimento. A diferença está na escolha e em como você se sente depois.
O que diz a OMS sobre a solidão
Em 30 de junho de 2025, a Comissão da OMS sobre Conexão Social publicou um relatório global sobre o tema. Os principais dados:
- Cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo sente solidão.
- A solidão está ligada a cerca de 871 mil mortes por ano, segundo as estimativas do relatório.
- Jovens de 13 a 29 anos relatam as taxas mais altas (de 17% a 21%).
- Em países de baixa renda, a taxa é cerca do dobro da dos países ricos (24% contra 11%).
- Até um terço das pessoas idosas e um quarto dos adolescentes vivem isolamento social.
Fonte: OMS, notícia sobre o relatório da Comissão sobre Conexão Social (30/06/2025, consultada em 02/10/2026).
Como a solidão afeta a saúde
Segundo a OMS, esse sentimento aumenta o risco de AVC, doenças cardíacas, diabetes e declínio cognitivo. Pessoas que se sentem sozinhas têm o dobro do risco de depressão e mais ansiedade. Ele também pode atrapalhar o desempenho nos estudos e no trabalho. Do outro lado, vínculos fortes estão associados a menos inflamação, menor risco de morte precoce e melhor saúde mental.
Isso conversa com o que mostra o estudo de Harvard sobre felicidade: a qualidade das relações é um dos fatores mais ligados ao bem-estar ao longo da vida.
Como lidar com a solidão: 7 passos práticos
- Comece pequeno. Uma mensagem para alguém de quem você gosta já é um primeiro passo.
- Crie contatos regulares. Um café quinzenal ou uma ligação semanal com a mesma pessoa fortalece o vínculo mais do que encontros soltos.
- Entre em um grupo com interesse em comum: caminhada, leitura, dança, coral, esporte. A OMS cita o engajamento social significativo entre as ações individuais recomendadas.
- Faça voluntariado. Ajudar outras pessoas é uma das ações citadas pela OMS e cria conexões com propósito.
- Use espaços da comunidade: praças, bibliotecas, centros culturais e eventos do bairro.
- Pratique a escuta. Relações ficam mais próximas quando as duas pessoas se sentem ouvidas. Veja nosso guia sobre empatia.
- Observe o uso das redes. Ficar rolando o feed pode aumentar a sensação de estar de fora. Um detox de comparação pode ajudar.

Solidão, timidez e ansiedade social
Para algumas pessoas, o difícil não é querer companhia, mas dar o primeiro passo. Se o medo do julgamento faz você evitar encontros, o problema pode estar ligado à ansiedade social, que tem tratamento. Começar por situações menores e mais previsíveis costuma ajudar.
Erros comuns ao tentar sair da solidão
- Esperar que os outros tomem a iniciativa. Muitas vezes eles também estão esperando.
- Querer resolver tudo de uma vez. Vínculos se constroem com repetição, não com um único grande encontro.
- Confundir quantidade com qualidade. Poucas relações próximas costumam valer mais do que muitos contatos superficiais.
- Achar que é culpa sua. Sentir-se só é uma experiência comum e tem causas variadas, inclusive mudanças de cidade, de trabalho e de fase da vida.
- Ignorar a tristeza persistente. Quando ela dura semanas, vale procurar ajuda.
Quando procurar ajuda
Se a sensação de isolamento vem acompanhada de tristeza constante, falta de interesse pelas coisas, alterações de sono ou apetite por mais de duas semanas, procure um psicólogo ou a UBS mais próxima. Leia também o nosso guia sobre depressão. Se precisar conversar agora, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 e pelo chat em cvv.org.br.
Perguntas frequentes sobre solidão
Qual a diferença entre solidão e solitude?
Solidão é a sensação dolorosa de falta de conexão. Solitude é escolher ficar só, de forma tranquila e muitas vezes restauradora.
Quantas pessoas sentem solidão?
Segundo a OMS, cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo.
A solidão faz mal à saúde?
Sim. A OMS associa a solidão a mais risco de doenças cardíacas, AVC, diabetes, declínio cognitivo, depressão e ansiedade.
Quem sente mais solidão?
Segundo a OMS, jovens de 13 a 29 anos relatam as taxas mais altas, e a solidão é mais comum em países de baixa renda.
Como fazer amigos na vida adulta?
Atividades regulares em grupo, voluntariado e a repetição de pequenos encontros com as mesmas pessoas costumam ajudar a criar vínculos.
Conclusão: conexão se constrói aos poucos
Sentir-se sozinha não significa que há algo errado com você. É um sinal de que a necessidade de conexão, tão humana, está pedindo atenção. Escolha um dos passos deste guia para colocar em prática nesta semana: uma mensagem, um convite, uma atividade nova. Para fortalecer quem está por perto, veja também como montar a sua rede de apoio.
