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Autoconhecimento e Despertar

Falta de Motivação? Uma Psicóloga com 25 Anos de Clínica Explica o Que Fazer

Mulher escrevendo em um caderno perto da janela — um primeiro passo simples diante da falta de motivação

A falta de motivação costuma aparecer assim: se ultimamente você sente que “não tem vontade de nada” — nem para as coisas que antes gostava — talvez o problema não seja falta de força de vontade. Para entender de verdade por que a motivação vai embora e o que fazer quando ela some, o Vida Intencional conversou com a psicóloga Marian Martins, que atua há mais de 25 anos em Caxias do Sul (RS), é credenciada pela Polícia Federal e perita judicial do Tribunal de Justiça do RS.

Resposta rápida: segundo Marian Martins, a motivação costuma ir embora aos poucos — por excesso de cobrança, rotina desgastante e a sensação de “viver no automático”. O primeiro passo não é esperar a vontade voltar, e sim agir em pequenas doses: organizar uma tarefa simples, cuidar do sono e se perguntar “o que está me deixando tão cansado(a)?”. Se a falta de vontade vier acompanhada de sofrimento ou isolamento, buscar ajuda psicológica é um ato de cuidado, não de fraqueza.

Sobre a entrevistada

Psicóloga Marian Martins explica o que fazer diante da falta de motivação

Marian Martins é psicóloga clínica (CRP RS 07|10386 – CRP PR 08 IS|335), credenciada pela Polícia Federal e perita judicial do Tribunal de Justiça do RS, com mais de 25 anos de atuação clínica em Caxias do Sul (RS).

Site: psimarian.com.br | Instagram: @marian.martins

Por que a motivação vai embora (e como perceber antes que vire desânimo)

A falta de motivação raramente aparece do nada. Para Marian, a motivação pode diminuir por diversos motivos: excesso de cobranças, rotina desgastante, frustrações, problemas pessoais, comparação com outras pessoas e, muitas vezes, a sensação de estar vivendo no automático. “Nem sempre percebemos de imediato. Alguns sinais aparecem aos poucos: falta de energia, irritabilidade, procrastinação, perda do prazer nas coisas que antes faziam sentido e aquela sensação de não estar conseguindo dar conta”, explica.

Segundo ela, o cuidado precisa vir antes do julgamento: “É importante olhar para esses sinais com carinho, antes que o cansaço emocional se transforme em um desânimo mais profundo. Nosso corpo e nossa mente costumam avisar quando algo não está bem.”

O primeiro passo prático quando a vontade some

Para vencer a falta de motivação, uma das ideias mais diretas de Marian é inverter a ordem que a maioria das pessoas espera: “O primeiro passo é não esperar a motivação voltar para começar a agir. Muitas vezes, é justamente a ação que ajuda a motivação a reaparecer.”

Na prática, isso significa começar pequeno: organizar uma tarefa, fazer uma caminhada curta, retomar algo que trazia prazer, estabelecer uma meta pequena para o dia. “Não precisamos resolver toda a vida de uma vez. Pequenos movimentos também são avanços”, diz. Ela também sugere duas perguntas para guiar esse primeiro passo: “O que está me deixando tão cansado?” e “O que realmente faz sentido para mim neste momento?”

Essa lógica de agir antes de sentir vontade tem tudo a ver com o que já mostramos por aqui na Regra dos 5 Segundos, uma técnica simples para vencer a procrastinação sem depender de disposição.

25 anos de consultório: o que mudou na forma como as mulheres falam sobre motivação

Com mais de duas décadas e meia de clínica, Marian tem uma visão privilegiada sobre como esse tema evoluiu entre as mulheres que atende: “Percebo que as mulheres passaram a falar mais sobre seus desejos, limites, escolhas e sobre a necessidade de também cuidarem de si mesmas.”

Ao mesmo tempo, ela é clara sobre o outro lado dessa mudança: “Durante muito tempo, muitas mulheres foram ensinadas a cuidar de todos e deixar seus próprios sonhos para depois. Hoje existe uma busca maior por autonomia, realização e equilíbrio. Mas também existe uma cobrança muito grande para ser uma mulher perfeita, profissional realizada, boa mãe, boa companheira e ainda estar sempre bem.”

Por isso, ela defende uma distinção importante: “Motivação não deve ser confundida com produtividade. Nem todos os dias precisamos produzir, conquistar ou dar conta de tudo. Às vezes, precisamos simplesmente respirar, reorganizar a vida e entender o que realmente queremos.”

Esse ponto conversa diretamente com o que já discutimos em Autossabotagem: como identificar e romper os padrões que te travam.

Motivação e autoconhecimento: dá para separar?

Isso importa porque a falta de motivação, muitas vezes, tem raízes mais profundas. Perguntamos a Marian se é possível trabalhar a motivação sem um processo de autoconhecimento. A resposta foi direta: “Motivação e autoconhecimento caminham muito próximos. Quando conhecemos melhor nossas necessidades, valores, limites e desejos, conseguimos compreender o que realmente nos movimenta.”

“É possível buscar motivação sem um profundo processo de autoconhecimento”, pondera, “mas, quando não sabemos para onde queremos ir, fica muito difícil sustentar uma caminhada. O autoconhecimento nos ajuda a diferenciar aquilo que realmente desejamos daquilo que fazemos apenas para atender às expectativas dos outros.”

Se esse processo de virar o olhar para dentro te interessa, vale complementar com o nosso guia sobre Trabalho da Sombra: o que é e como começar esse processo de autoconhecimento com segurança.

“Não tenho vontade de nada hoje”: por onde começar

Para quem está nesse ponto, Marian é enfática sobre por onde começar: “Eu começaria pelo acolhimento, e não pela cobrança. Quando alguém diz ‘não tenho vontade de nada’, é importante não interpretar isso simplesmente como preguiça ou falta de força de vontade. É preciso olhar para o que existe por trás dessa falta de vontade.”

Os passos práticos que ela sugere são simples e acessíveis: conversar com alguém de confiança, sair um pouco da rotina, cuidar do sono, alimentar-se adequadamente, movimentar o corpo e reservar alguns minutos do dia para si.

Mas ela também deixa um alerta importante: “Se essa falta de vontade persistir ou vier acompanhada de sofrimento, isolamento, tristeza intensa ou perda do prazer pelas coisas, procurar ajuda psicológica é um ato de cuidado, não de fraqueza.” Se esse é o seu caso, o texto sobre Sinais de Burnout: os 3 alertas oficiais da OMS antes do esgotamento total pode ajudar a entender se o que você sente vai além de um cansaço passageiro.

Erros comuns ao lidar com a falta de motivação

  • Cobrar-se em vez de se acolher — tratar a falta de vontade como preguiça, em vez de investigar o que está por trás dela. Esse é, talvez, o erro mais comum: julgar a falta de motivação como um defeito de caráter, quando na verdade ela costuma ser um sintoma de algo que precisa de atenção.
  • Confundir motivação com produtividade — achar que todo dia precisa ser um dia de conquistas.
  • Esperar a motivação “voltar” antes de agir — quando, na prática, é a ação em pequena escala que costuma reacender a vontade. Ficar esperando passivamente raramente resolve a falta de motivação; o movimento, mesmo pequeno, é o que costuma destravar o ciclo.
  • Ignorar sinais de sofrimento mais profundo — isolamento, tristeza intensa ou perda de prazer persistente pedem apoio profissional, não só força de vontade.

Um resumo prático para lidar com a falta de motivação hoje

Se você chegou até aqui buscando algo objetivo, aqui vai uma síntese do que Marian Martins recomenda diante da falta de motivação, com base em tudo o que ela compartilhou nesta entrevista:

  • Não espere a motivação “voltar” para agir — comece pequeno, com uma tarefa simples ou uma caminhada curta.
  • Cuide do básico primeiro: sono, alimentação e movimento do corpo influenciam diretamente a disposição.
  • Troque a cobrança pelo acolhimento — pergunte “o que está me deixando tão cansado(a)?” antes de se julgar por “preguiça”.
  • Lembre que motivação não é sinônimo de produtividade — nem todo dia precisa ser um dia de conquistas.
  • Fique atento(a) a sinais de sofrimento mais profundo (isolamento, tristeza persistente) que pedem apoio profissional, além do simples esforço de vontade.

Essa é a lógica por trás da falta de motivação que, segundo Marian, costuma responder bem a pequenos ajustes de rotina e autocuidado. Mas vale repetir: quando a falta de motivação persiste e vem acompanhada de sofrimento, buscar uma psicóloga ou psicólogo é o caminho mais seguro — e também mais gentil consigo mesmo(a).

Perguntas frequentes sobre falta de motivação

1. Falta de motivação é sempre sinal de depressão?
Não necessariamente. A motivação pode oscilar por rotina desgastante, excesso de cobrança ou cansaço emocional pontual. Mas se vier acompanhada de tristeza intensa, isolamento ou perda de prazer por tempo prolongado, vale buscar avaliação profissional.

2. Preciso esperar me sentir motivado(a) para começar algo?
Segundo Marian Martins, não. Muitas vezes é a ação em pequena escala — e não a motivação — que vem primeiro e ajuda a vontade a reaparecer.

3. Como recuperar a motivação no dia a dia?
Começando pequeno: uma tarefa simples, uma caminhada curta, cuidar do sono e se perguntar o que realmente faz sentido naquele momento.

4. Motivação e disciplina são a mesma coisa?
Não. A entrevista mostra que motivação está mais ligada a autoconhecimento e propósito, enquanto disciplina e produtividade são construções diferentes — nem sempre uma depende da outra no dia a dia.

5. Quando devo procurar ajuda psicológica pela falta de motivação?
Quando ela persiste e vem acompanhada de sofrimento, isolamento ou tristeza intensa. Marian reforça que esse é um passo de cuidado, não de fraqueza.

Conclusão

A conversa com Marian Martins sobre a falta de motivação reforça algo que vale a pena guardar: a motivação não precisa ser uma grande chama todos os dias. Às vezes ela começa como uma pequena luz — e o primeiro passo para reacendê-la costuma ser mais simples (e mais gentil) do que a gente imagina.

Quer se aprofundar no assunto? Também temos um artigo sobre o que realmente sustenta a motivação além das frases prontas: Frases Motivacionais ou Hábitos? O Que Sustenta a Motivação de Verdade.

Prefere no formato rápido? Veja o Web Story sobre falta de motivação →

Leia também: Motivação: o que a ciência diz e 8 formas de recuperar a sua — ou veja o Web Story.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento médico, psicológico, jurídico ou financeiro profissional.

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